Progressiva, Botox Capilar, Nanoplastia ou Selagem: Qual é Qual

Os quatro prometem cabelo mais alinhado, mas só dois mexem na forma do fio. Entenda a diferença antes de marcar — e o que a regulamentação brasileira diz sobre cada ativo.

Progressiva, Botox Capilar, Nanoplastia ou Selagem: Qual é Qual
Resposta rápida: progressiva e nanoplastia alisam de verdade e criam linha de raiz; botox capilar e selagem reduzem frizz e volume sem desfazer a curvatura. Formol é proibido como alisante no Brasil, e desde julho de 2025 o ácido glioxílico também está no alerta da Anvisa — inclusive em produtos anunciados como “sem formol”.

Escova progressiva

Alisa de verdade. É o único dos quatro cuja função declarada é mudar a forma do fio. Dura meses e cria linha de raiz.

Botox capilar

Não alisa. Preenche a fibra, reduz frizz e faz o cacho pesar mais — o que muita gente lê como liso. Efeito de semanas.

Nanoplastia

Nome comercial, não fórmula única. Costuma alisar bastante, e é onde mora a discussão sobre ácido glioxílico.

Selagem capilar

A mais leve. Sela a cutícula, dá brilho e tira frizz, sem se propor a desfazer a curvatura.

Quais realmente alisam e quais só reduzem volume

Essa é a pergunta que gera toda a confusão, e a resposta curta é: progressiva e nanoplastia se propõem a alisar; botox capilar e selagem, não. Botox e selagem trabalham na superfície e no preenchimento do fio. Eles deixam o cabelo mais pesado, mais alinhado e com muito menos frizz — e é justamente isso que faz a pessoa sair do salão achando que alisou.

A diferença prática aparece no terceiro mês. Um cabelo que passou por botox volta ao padrão original conforme o produto sai nas lavagens, sem degrau visível. Um cabelo que passou por progressiva cria uma linha nítida entre a raiz nova, com a curvatura natural, e o comprimento tratado. Se você vê linha de demarcação, houve mudança de forma. Se não vê, foi cosmético.

Vale um aviso sobre nomes: no Brasil, o nome do serviço no cardápio do salão não é regulado. Dois salões podem chamar de “botox” coisas bem diferentes, e há produtos vendidos como botox que contêm ativos de alisamento. O que define o que vai acontecer com o seu cabelo é a fórmula do produto, não a palavra na etiqueta.

Como escolher entre os quatro

Segurança: o que a Anvisa permite e o que não permite

Esta é a parte que os cardápios de salão raramente explicam, e ela importa mais do que a escolha entre um nome e outro.

No Brasil, o formol (formaldeído) é aceito em cosméticos apenas como conservante, em concentração de até 0,2%, e como endurecedor de unhas, em até 5%. Usar formol como agente alisante é proibido. Em julho de 2025 a Anvisa publicou um informe de segurança sobre alisantes irregulares reforçando essa posição e incluindo o ácido glioxílico, que também não é aceito como ativo de alisamento capilar.

Os ativos que a regulamentação brasileira admite para alisar ou ondular são outros: ácido tioglicólico e seus sais e ésteres, hidróxidos de sódio, potássio, lítio ou cálcio (este último associado à guanidina), sulfitos e bissulfitos inorgânicos, pirogalol e ácido tiolático. Se o produto usado em você não trabalha com nenhum desses, vale perguntar o que exatamente ele contém.

Um ponto que costuma passar batido: “sem formol” no rótulo não é, sozinho, um atestado de segurança. A frase diz o que o produto não tem, não o que ele tem. Fórmulas à base de ácido glioxílico são anunciadas como livres de formol e ainda assim estão no centro do alerta, porque o composto pode gerar formaldeído quando encontra o calor da chapinha e porque agências sanitárias estrangeiras relataram casos de lesão renal aguda grave associados ao seu uso em alisamentos térmicos.

O que dá para fazer na prática, sem virar químico: peça para ver a embalagem antes de começar, confira se o produto tem regularização na Anvisa (a consulta é pública e feita pelo nome do produto ou pelo CNPJ do fabricante), e desconfie de embalagem sem rótulo, sem lote e sem fabricante identificado. Salão com ventilação ruim, cheiro forte que arde os olhos e olhos lacrimejando durante a chapinha são sinais de alerta para você e para o profissional, que se expõe todos os dias.

Química sobre química: o risco real

O caso mais frequente de quebra não vem de um procedimento isolado, e sim da soma. Cabelo descolorido já teve a cutícula aberta e parte da estrutura interna comprometida; somar um alisamento em cima disso, com calor alto, é o cenário clássico do fio que “derrete” ou quebra na altura do meio.

Não existe um número mágico de dias que sirva para todo mundo. O que orientações de salão costumam sugerir é um intervalo de pelo menos duas semanas entre descoloração e alisamento — e prazos bem maiores, de meses, quando o alisamento anterior foi feito com hidróxidos ou tioglicolato, porque esses ativos não convivem bem com descoloração. Mas o intervalo é secundário: o que manda é o estado do fio. Cabelo que estica e não volta, que fica emborrachado quando molhado ou que quebra ao pentear não está pronto para receber química nenhuma, independentemente do calendário.

Por isso a única resposta honesta para “posso fazer?” é: leve o seu cabelo, com o histórico completo do que já foi aplicado nele, para um profissional avaliar presencialmente e fazer teste de mecha. É uma avaliação técnica, não uma pesquisa.

Gravidez, amamentação e exposição repetida

Não vamos responder isso aqui, e essa é uma escolha deliberada. Gestação, amamentação e exposição frequente — sua ou da profissional que aplica o produto várias vezes por dia — envolvem variáveis de saúde individuais que nenhum site consegue avaliar. Leve a dúvida ao seu médico e ao profissional que fará o procedimento, com o nome do produto em mãos.

Também não vamos ensinar a aplicar alisamento químico em casa. Não é pudor editorial: o risco de queimadura no couro cabeludo, de inalação em ambiente fechado e de quebra irreversível é concreto, e a decisão de tempo de pausa e de temperatura depende de ler o fio, o que só acontece presencialmente.

Quanto custa

Os quatro procedimentos ocupam faixas de preço bem diferentes, e o valor muda com comprimento, densidade, histórico químico, região do país e nível do profissional. Listas de preços publicadas por salões e por portais do setor colocam a selagem na faixa mais acessível, a nanoplastia em uma faixa intermediária que sobe bastante com o comprimento, e a progressiva variando muito conforme a linha de produto usada. Nenhum desses procedimentos tem tabela oficial no Brasil.

Reunimos as faixas e o que faz o preço subir ou descer no guia de preços de salão. Aqui vale a regra geral: orçamento por telefone sem ver o cabelo é estimativa, não preço.

O que o Visio AI faz — e o que ele não faz

O Visio AI é um aplicativo de edição de fotos com inteligência artificial, para iPhone e Android, que mostra na sua própria selfie como você fica com o cabelo liso, com mais ou menos volume, em outro comprimento ou em outra cor. É útil exatamente na dúvida que antecede o salão: eu gosto mesmo de mim lisa?

Agora a parte honesta. O aplicativo prevê o visual, nunca o resultado químico. Ele não sabe qual é a sua curvatura real, não mede porosidade, não enxerga descoloração antiga no comprimento, não estima quanto do seu cacho um determinado produto vai desfazer e não tem como avaliar a saúde do seu fio. Um preview bonito não é sinal verde para uma química. Use-o para decidir se o visual é o que você quer, e leve essa decisão — não o preview — para a avaliação profissional.

Se o que você quer testar é cor de cabelo ou um corte novo, os simuladores dessas duas áreas são o caminho mais direto.

Perguntas frequentes

Qual desses tratamentos realmente alisa o cabelo?

Progressiva e nanoplastia são os dois que se propõem a mudar a forma do fio. Botox capilar e selagem reduzem frizz e volume, mas não desfazem a curvatura — o efeito de liso que aparece vem do peso e do alinhamento, e sai com as lavagens.

Progressiva sem formol é segura?

Sem formol diz o que o produto não tem, não o que ele tem. No Brasil o formol só é aceito como conservante até 0,2% e como endurecedor de unhas até 5%, e seu uso para alisar é proibido. Em julho de 2025 a Anvisa também incluiu o ácido glioxílico em seu alerta sobre alisantes irregulares, e muitos produtos vendidos como sem formol usam justamente esse ativo. Confira a regularização do produto na Anvisa antes de aceitar a aplicação.

Posso fazer progressiva ou nanoplastia depois de descolorir?

Só um profissional pode responder isso olhando o seu cabelo. Química sobre química é a principal causa de quebra, e cabelo descolorido está mais frágil. Orientações de salão costumam sugerir um intervalo mínimo de duas semanas, mas o que decide é o estado do fio e o teste de mecha, não o calendário.

Qual dura mais tempo?

Na ordem usual, progressiva e nanoplastia duram meses e criam linha de raiz; a selagem costuma durar algumas semanas a poucos meses; o botox capilar é o mais curto, com efeito na casa de semanas. A duração real muda com a frequência de lavagem, o tipo de shampoo e a textura do seu cabelo.

O Visio AI mostra como vou ficar depois da progressiva?

Ele mostra como você fica com o cabelo liso, o que ajuda a decidir se é isso que você quer. O que ele não faz é prever o resultado químico: não avalia curvatura real, porosidade, dano ou histórico de descoloração. Essa parte é avaliação profissional presencial.

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